Mnemônicos em TI

Uma das técnicas de memorização mais conhecidas é o uso de mnemônicos. Trata-se de seqüências de letras ou palavras que visam organizar um conjunto de dados de maneira mais fácil de lembrar.

São muito populares em cursos pré-vestibulares para memorizar fórmulas de física (ex: “Vou voar mais alto” para V = V0 + at, a função horária do Movimento Retilíneo Uniformemente Variável); elementos da química (ex: “lio e lio Argumentaram Kruelmente com a Xerife Renata” para os gases nobres He Ne Ar Kr Xe Rn); ou para decorar os planetas do sistema solar (ex: “Minha Vó Tem Muitas Jóias. Só Usa No Pescoço” para Mercúrio, Vênus, Terra etc).

Particularmente prefiro os mnemônicos mais simples, que ao invés de usar palavras utilizam letras. São um pouco mais difíceis de decorar, mas ficam mais concisos e podem ajudar quem tem uma memória mais visual. O site http://memorizacao.blogspot.com/ do Alberto Dell’Isola possui várias dicas sobre como compor os seus próprios mnemônicos, e sobre como memorizar uma grande quantidade de informação em pouco tempo.

Em nosso contexto de Tecnologia da Informação, especialmente voltados para concursos públicos da área, é bom ter um conhecimento mais generalista do que especialista. Uma simples memorização de um mnemônico pode valer uma questão ou alguns pontos em uma discursiva, em assuntos que muitas vezes o candidato deixaria de lado por falta de tempo.

Abaixo cito alguns exemplos de mnemônicos que podem remeter a assuntos familiares ou não ao leitor:

 

PDCA (Gestão da Qualidade)

O ciclo PDCA corresponde às etapas de Planejamento (Plan), Execução (Do), Verificação (Check) e Atuação (Act), utilizado como um processo de melhoria contínua.

 

BLT (Tempos de acesso a discos rígidos)

São os tempos de Busca, Latência rotacional e Transferência. O tempo total de acesso ao disco é determinado pela soma desses três tempos.

 

FERTSAA (Camadas OSI)

OSI é uma arquitetura que classifica as redes em sete camadas abstratas. As camadas do modelo OSI são: a camada Física (equipamentos e cabeamento), de Enlace (ligação de dados e correção de erros), de Rede (endereçamento dos pacotes de rede, ex: datagramas IPs), camada de Transporte (ordenação, correção de erros e controle de fluxo), de Sessão (estabelecimento de uma sessão entre dois terminais), de Apresentação (tradução, compressão e criptografia), e por fim a camada de Aplicação (meio onde os protocolos dos programas se comunicam, ex: HTTP, FTP, DNS, etc). Se a ordem não for importante, é mais fácil lembrar do mnemônico FAST-ERA.

 

EITA (Camadas TCP/IP)

A suíte TCP/IP define diversos protocolos de comunicação usados por redes modernas. As camadas desses protocolos são divididas em: Enlace (interface de rede, correção de dados), Internet (ou rede, ex: IP), Transporte (similar ao OSI, ex: TCP, UDP) e Aplicação (também similar ao OSI).

 

SP-UID-JPAD (Operadores da Álgebra Relacional)

A álgebra relacional é o conjunto de operações que define os tipos de manipulações em um modelo relacional (ex: banco de dados relacionais). Os operadores são: Seleção, Projeção, União, Interseção, Diferença, Junção, Produto Cartesiano, Agregação e Divisão.  A Seleção seleciona um subconjunto de tuplas; a Projeção seleciona colunas (atributos) de uma relação; a União, Interseção e Diferença são operadores de subconjuntos de tuplas; o Produto Cartesiano faz a combinação de todas as tuplas de duas relações; a Junção natural (ou natural join) combina operadores para obter tuplas de acordo com a chave primária da relação; a Divisão é um operador que retorna todos os valores de uma relação, desde que exista uma tupla correspondente em outra relação; e a Agregação é utilizada para agrupar conjuntos de valores em função de uma operação agregadora (ex: soma, contagem, etc).

 

ACID (Transação de Banco de Dados ou Sistema Operacional)

Uma transação define um conjunto de operações que são caracterizadas pela sua Atomicidade, Consistência, Isolamento e Durabilidade. A atomicidade determina que a transação seja executada por completo em caso de sucesso ou cancelada por completo em caso de erro; a consistência define regras de integridade do banco de dados; o isolamento oculta os estados intermediários da transação de outras; e a durabilidade garante que os efeitos da transação serão permanentes em caso de sucesso.

 

ACID (Segurança da Informação)

Duas siglas pelo preço de uma! A sigla ACID também define as características básicas no contexto da Segurança da Informação – Autenticidade, Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade. Às vezes a Autenticidade não é relacionada como uma característica básica, então a sigla se torna CID ou mesmo CIA, em inglês (Confidenciality, Integrity e Availability).

 

IRDGO (Níveis do CMM)

São cinco os níveis do modelo de maturidade CMM: Inicial (1), Repetível (2), Definido (3), Gerenciado (4) e Otimizado (5).

 

TECQ Rh_Aqui_Int_Com_Risco (PMI: Áreas de Conhecimento)

São nove as áreas de conhecimento descritas no guia PMBOK, e são elas: Tempo, Escopo, Custo, Qualidade; gerenciamento de Recursos humanos, Aquisições, Integração, Comunicação e Risco. Cada uma dessas áreas possui os processos que compõe um programa de gerenciamento de projetos.

 

IEDP (Divisões do COBOL)

Um programa escrito na linguagem de programação COBOL consiste em quatro divisões: Identification, Environment, Data e Procedure.

 

MQ Me Mi MQu (Norma ISO 9126/Métricas)

Essa norma internacional define um padrão de avaliação da qualidade de softwares. A norma é dividida em quatro partes: Modelo de Qualidade (ver abaixo), Métricas externas, Métricas internas e Métricas de Qualidade em uso.

 

FunConUsaEfiManPor (Características do modelo de qualidade da ISO 9126-1)

A primeira parte da ISO 9126 define um modelo de qualidade para estruturar um software nas seguintes características: Funcionalidade, Confiabilidade, Usabilidade, Eficiência, Manutenibilidade e Portabilidade.

 

CECT (Fases do RUP – Rational Unified Process)

O processo unificado divide um projeto em quatro fases: a Concepção (definição do escopo), Elaboração (definição da arquitetura e solução), Construção (desenvolvimento do projeto) e Transição (quando o projeto é implantado). Uma alternativa a esse mnemônico é o ConElaConTran.

 

Outros exemplos na área de TI podem ser os tipos primitivos em uma linguagem (ex: byte, short, int, long, float, double, char e boolean em Java), as disciplinas do ITIL, os diversos diagramas do UML, e assim por diante.

Mnemônicos não precisam representar apenas uma letra ou iniciais de um conjunto de disciplinas ou assuntos. É possível criar mnemônicos simples para memorizar tópicos mais complexos, como por exemplo, os algoritmos recursivos de travessia em árvores:

 

Algoritmo Pré-Ordem (nó) {

Se árvore vazia, fim.

Visita (nó)

Pré-Ordem (nó->esquerda)

Pré-Ordem (nó->direita)

}

 

Algoritmo Em-Ordem (nó) {

Se árvore vazia, fim.

Em-Ordem (nó->esquerda)

Visita (nó)

Em-Ordem (nó->direita)

}

 

Algoritmo Pós-Ordem (nó) {

Se árvore vazia, fim.

Pós-Ordem (nó->esquerda)

Pós-Ordem (nó->direita)

Visita (nó)

}

 

Podemos observar que nos três percursos os nós da esquerda são visitados antes dos nós da direita. O que muda é o momento em que o nó atual é visitado. Logo, esses três algoritmos podem ser memorizados facilmente de forma mais concisa:

 

Passo 1: Se árvore vazia, fim

Passo 2:

   Pré:  visita -> pré(esq) -> pré (dir)

Em:  em (esq) -> visita -> em (dir)

Pós: pós (esq) -> pós (dir) -> visita

 

Esses mnemônicos são apenas alguns poucos exemplos que podem ser criados pelo leitor em seus estudos. De maneira alguma eles são recomendados como a única opção para memorização de um desses conceitos, ou como substituto do estudo aprofundado e detalhado. O ideal é que eles sirvam como gatilhos para assuntos já estudados – cada um pode escolher um mnemônico que seja mais fácil de lembrar ou que englobe o assunto na forma em que lhe seja familiar.

 

Bons estudos!

Mais dicas de concursos no livro: Java e Web para Concursos

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